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O Papa São João Paulo II

Vida Virtuosa e a Teologia do Corpo

O Papa São João Paulo II nasceu Karol Józef Wojtyła em 18 de maio de 1920, em Wadowice, cidadezinha de 15 mil habitantes, no sul da Polônia.

A Família

Seu pai, que também se chamava Karol, era oficial administrativo do quartel do exército, em Wadowice. Sua mãe, Emilia Kaczorowska, faleceu aos 36 anos, em 1929, por causa de complicações cardíacas e renais, advindas, provavelmente, do parto da sua irmã Olga, que morreu pouco depois do nascimento, em 1914.

No momento do parto de Karol, Emília pediu à parteira que abrisse as janelas do quarto, para que os cantos marianos provenientes da Igreja de Nossa Senhora, situada em frente à sua casa, inundassem os ouvidos do recém-nascido.

Edmundo era o nome do seu irmão primogênito, nascido em 1906. Era médico e no início de suas atividades profissionais, atendeu pacientes de uma epidemia de escarlatina e foi infectado. Inesperadamente, ele veio a óbito em 1932.

Agora eram só ele e o seu pai. Foi o seu pai que lhe transmitiu a experiência da ação do Espírito Santo, ensinando-o a rezar a Ele quando se encontrava em dificuldades. Porquanto, segundo Karol, esse seu ensinamento lhe indicou o caminho a seguir.

Primeiros Anos

Os anos da infância e da adolescência transcorreram numa atmosfera de fé. Gostava de praticar esporte, de esquiar, de atuar em teatro e até escreveu algumas peças.

Em 1938, ele e seu pai se mudam para Cracóvia, pois Karol ingressa na Faculdade de Filosofia da Universidade Jagelônica, no curso de filologia polonesa. Conseguiu concluir só o primeiro ano, pois em 01 de setembro de 1939, o exército alemão invade a Polônia: eclode a Segunda Guerra Mundial.

Karol, para escapar da deportação aos trabalhos forçados na Alemanha, precisava do salvo-conduto, que era dado pelas autoridades alemãs aos trabalhadores considerados úteis para a sociedade.

Trabalhou como operário em uma mina de pedra e, mais tarde, em 1941, foi transferido para o interior da fábrica, para a área de depuração da água, junto às caldeiras. Por causa dessa experiência, ele pode afirmar que é necessário que o trabalho não seja nunca alienante e frustrante, mas que sempre corresponda à superior dignidade espiritual do ser humano.

Vocação Sacerdotal

Então,em 1941, o seu pai morre e o jovem Karol fica sozinho. Bastou o seu exemplo para ensinar ao seu filho a disciplina e o senso do dever.

Em 1942, em pleno domínio nazista, sentiu despertar a sua vocação sacerdotal, o que inegavelmente o fez perceber que ser ator não era a sua verdadeira inclinação.

Entrou para o seminário de Cracóvia, que funcionava na clandestinidade, onde realizou a sua formação e, em 01 de novembro de 1946 foi ordenado sacerdote. No final deste mesmo ano foi enviado para Roma onde fez o mestrado em Teologia.

O seu trabalho de conclusão do curso foi “A doutrina da fé segundo São João da Cruz”.

Aos 28 anos volta para a Polônia e inicia como vice pároco na Paróquia de São Floriano. Em 1953, foi chamado a ensinar na Universidade Católica de Lublin, depois na de Cracóvia. Neste período, ele começa com as conferências para a juventude universitária, onde tratava dos problemas fundamentais referentes à existência de Deus e à espiritualidade da alma humana.

Episcopado

Em 1958, Pio XII nomeou-o bispo auxiliar de Cracóvia e, no ano seguinte, ele recebeu a ordenação episcopal. Adotou como lema a expressão mariana Totus Tuus, de São Luis Maria Grignion de Montfort. Em 1964, tornou-se Arcebispo da Cracóvia e, em 1967, por indicação de Paulo VI, tornou-se cardeal.

Pouco depois de sua ordenação episcopal participou, do começo ao fim, do Concílio Vaticano II. Disse que a realização do Concílio deveria ser considerada como a resposta da fé à Palavra do Senhor.

Após o Concílio, escreveu um livro no qual apresentou as orientações amadurecidas ao longo das sessões conciliares:

Às fontes da renovação. Estudo sobre a atuação prática do Concílio Vaticano II.

Publicado em 1972

Em 1978, após a morte de Paulo VI, realiza-se o Conclave que elegeu João Paulo I. Karol disse:

Penso que seja o homem ideal, graças à sua piedade e humildade, suscetível à ação do Espírito Santo. É deste Papa que a Igreja precisa para os dias de hoje.

Entretanto, apenas um mês depois, João Paulo I veio a falecer.

No dia 14 de outubro de 1978, tem início um novo Conclave.

Papado

O Papa Karol Józef Wojtyła não foi o primeiro nome votado pelo conclave de 1978, pois que buscava um italiano para suceder a João Paulo I.

Com os votos divididos entre os diversos candidatos, aos poucos o nome do Cardeal de Cracóvia aparece como uma alternativa e, na segunda eleição da tarde da segunda-feira, dia 16 de outubro de 1978, ele é eleito Papa.

João Paulo II foi o 264º Papa, o primeiro vindo da Polônia e, depois de Adriano IV, Papa holandês de Utreque em 1523, o primeiro não italiano.

Quando perguntado “aceitas?” ele, recorrendo à Divina Misericórdia, respondeu com confiança:

Na obediência da fé, diante de Cristo, meu Senhor, confiando na Mãe de Cristo e da Igreja, consciente das grandes dificuldades, eu aceito.

Eventualmente, o seu maior desejo era testemunhar que Cristo, o Bom Pastor, está presente e opera na Sua Igreja e, desde o primeiro dia exorta:

Não tenham medo de escolher Cristo e de aceitar o seu poderio.

Viagens e Evangelização

Para confirmar os seus irmãos na fé e afirmar os verdadeiros valores humanos, o Papa Karol Józef Wojtyła se põe a caminho, tal como fez São Paulo, dando continuidade ao processo de evangelização iniciado pelos apóstolos.

São viagens de fé, de oração, que sempre têm no coração a meditação e a proclamação da Palavra de Deus, a Celebração Eucarística e a invocação a Maria. Representam ocasiões de catequese itinerante, de anúncio evangélico.

No total foram 104 viagens internacionais e 146 na Itália, com 129 países visitados nos cinco continentes.

Apoiado na sua defesa dos valores humanos, desenvolveu uma leitura crítica tanto do comunismo quanto do capitalismo e, em três encíclicas dentre as 14 que escreveu, trata desse assunto; são elas: Laborem exercens (1981), Sollicitudo rei socialis (1987) e a Centesimus annus (1991).

Em 1983, promulgou o novo Codex iuris canonici e depois providenciou a reforma da Cúria romana com a constituição apostólica Pastor bonus de 1988. Convocou 15 sínodos trabalhando a colegialidade episcopal no governo da Igreja.

O Atentado

Em 13 de maio de 1981, sofreu um gravíssimo atentado executado pelo turco Ali Agca. Em 1991, dez anos após o atentado, ele disse:

Reconheço que uma mão materna desviou o projétil.

Era a sua interpretação do acontecimento, à luz da presença mariana.

Nas suas viagens ou nas audiências semanais, o Papa Karol Józef Wojtyła sempre se encontrava com os jovens e dirigia a eles a sua palavra. Fez dos jovens uma verdadeira opção preferencial:

Vocês são a esperança da Igreja, vocês são a minha esperança.

Dizia:

Não é absolutamente mais importante o que eu disser a vocês; o importante é o vocês dirão a mim.

Nestas palavras ele resumiu, de maneira eficaz, o significado mais profundo da pastoral do Papa para o mundo juvenil, pois antes da palavra vem a escuta, antes da mensagem a disponibilidade de decifrar as esperanças e as inquietações que atravessam as jovens gerações.

Jornada Mundial da Juventude

A partir de duas reuniões com os jovens em 1984 e 1985, em Roma, nasceram as Jornadas Mundiais da Juventude, que, a partir de 1986, seriam celebradas todos os anos. João Paulo II lhes disse:

Vós, os jovens, deveis saber o que significa a Palavra de Jesus: segui-me.

Foram 20 Jornadas Mundiais da Juventude preparadas pelo Papa João Paulo II, entretanto a última, a de 2005, foi presidida pelo Papa Bento XVI.

Na sua encíclica Evangelium Vitae, de 1995, o Papa defende a vida, fala do aborto, das campanhas a favor da esterilização, da manipulação da vida e escreve:

Somos o povo da vida porque Deus, no seu amor gratuito, deu-nos o Evangelho da vida.

Da defesa da dignidade de todo ser humano dentro do projeto de Deus por cada um, surge o que ficou conhecido como a Teologia do Corpo.

São João Paulo II

O último grande projeto de João Paulo II foi certamente o jubileu, no ano 2000. Tratou-se de um evento extremamente importante na sua missão pastoral e trouxe uma importância penitencial significativa, expressa através do dia do perdão, em 12 de março de 2000.

Com um pontificado longo, 26 anos, portanto o segundo maior depois de Pio IX, 32 anos, conduziu várias cerimônias de beatificação e canonização: 1.338 beatos e 482 santos.

Escreveu 14 encíclicas, nas quais expressa o seu pensamento sobre as questões mais impactantes do seu pontificado.

O agravamento das condições de saúde do Papa Karol Józef Wojtyła, que dentre outros problemas, tinha o mal de Parkinson, conduziram-no a uma longa e angustiante agonia.

Quando perguntado sobre o motivo de não renunciar, respondeu:

Porque Cristo não desceu da cruz.

Morreu no dia 02 de abril de 2005. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 2011 e em 2014 foi canonizado pelo Papa Francisco.

Trabalho de conclusão da Disciplina Quadros de História da Igreja do Curso Luz e Vida apresentado pela aluna Patrícia Inês Rohlfs Peres.

Escrito por Equipe Tenda do Senhor

Grupo de Oração Tenda do Senhor

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