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Inspirações Bíblicas Missionárias #04

Fotografia por Priscilla Du Preez em Unsplash

O Mandamento Missionário no Evangelho de São Marcos

Todos os evangelistas com sua comunidade foram recordando dos feitos e das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi assim que os Evangelhos foram sendo escritos. Sem entrarmos em questões exegéticas profundas, vale a pena entender este detalhe: cada evangelista tem um estilo e características próprias. E se o seu texto integral em si traz estes elementos específicos, não seria diferente encontrar detalhes que particularizam o Mandato Missionário em cada Evangelho.

Assim, se no último artigo conhecemos este Mandato Missionário no Evangelho de São Mateus, agora o convite é entrar no texto de São Marcos e ali escutar o Senhor Jesus enviando seus discípulos à missão.

O curioso detalhe do último capítulo do Evangelho de São Marcos

Quando lemos o último capítulo do Evangelho de Marcos, isto é, o capítulo 16, notamos em evidência no versículo 15, o Mandato Missionário. Porém, o final do capítulo, do versículo 9 ao 20, segundo os exegetas, foi um acréscimo da comunidade primitiva. Conforme estes estudos, dizem que a real intenção do evangelista Marcos era a de terminar abruptamente seu escrito, deixando aos leitores a tarefa de completar o seu Evangelho em suas vidas.

Assim, o versículo 15, que é o texto do Mandato Missionário em Marcos, não seria original. Desta forma, diferente dos outros evangelistas, todo o último capítulo torna-se o envio, ou seja, ele expressa a mensagem e o desejo de Jesus Ressuscitado em nos enviar.

No estudo do Mandato de Missão em Marcos é interessante descobrir o texto inteiro que o exprime. Por isso, é importante, em primeiro lugar, conhecer todo o capítulo 16, que contém o referido mandato.

A Experiência Pascal é o núcleo do Evangelho de São Marcos

O núcleo do Evangelho, que está na origem da experiência cristã, é condensado na frase que um misterioso personagem dirige às mulheres na madrugada de Páscoa, perto do sepulcro vazio:

Não vos espanteis! Estais procurando Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou, não está aqui.

Marcos 16,6

Foi por causa deste único e central versículo que aqueles anteriores foram escritos: juntos formam todo o anúncio da Páscoa no Evangelho de Marcos.

Os evangelistas são modestos e honestos, não cedem a exageros. O importante é saber da visita matutina de algumas mulheres, entre elas Maria Madalena, como se pode ver em outros relatos do episódio. E que, chegando, elas podem ver que a grande pedra que tapava o túmulo está removida: entrada do túmulo, que na mentalidade bíblica é o símbolo do abismo da morte está aberta!

A pedra rolada, o sepulcro vazio não serão provas, mas servirão como indício para quem crê, pois só o encontro com o Senhor vivente fará amadurecer a fé nele como o Ressuscitado!

Missão e Medo

Aquele anjo confia às mulheres a missão de anunciar aos discípulos e a Pedro a novidade e, como profetizado, a futura realização do encontro marcado com o Senhor Ressuscitado, na Galileia. Este encontro com o Ressuscitado não acontece entre túmulos, no passado, e sim no futuro!

A ressurreição abre o novo futuro, reorganiza os discípulos, faz iniciar, com vigor restaurado, a missão. E, assim, a Galileia será o lugar especial de onde se proclamou, pela primeira vez, o anúncio do Reino de Deus e o lugar do reencontro.

Mas entre as mulheres, há medo e estupor e elas não cumpriram a ordem de missão que receberam do mensageiro divino, o anjo sentado, lá dentro do túmulo:

Elas saíram e fugiram do túmulo, pois um tremor e um estupor se apossaram delas. E nada contaram a ninguém, pois tinham medo…

Marcos 16,8

A continuação do Evangelho de São Marcos é conosco, hoje!

São Marcos realmente tinha a intenção de, terminando seu evangelho assim, em aberto, convocar todos os discípulos, homens e mulheres, para propagarem a Boa-Nova, isto é, a de que Deus trouxe a vida da morte, ressuscitando Jesus. O evangelista fez assim para que os discípulos de todas as gerações pudessem continuar o seu Evangelho sem o medo nem o espanto e o tremor das três mulheres do sepulcro!

Talvez os leitores deste evangelho perguntassem como poderiam ser discípulos melhores do que aqueles que conviveram com Jesus e viveram aqueles acontecimentos. Por isso, é provável que o evangelista respondesse assim:

Este Evangelho foi escrito para vós! Perseverai como fiéis seguidores do Jesus que lhes apresentei. Sua ressurreição não é o fim! Ele vos precede como o servo Messias. Agora precisais cuidar das necessidades dos mais pobres até que ele venha novamente. Ele deu sentido ao sofrimento e trouxe vida da morte. Confiai nele e dai a vida dele aos que não têm esperança. Seja o que for que façais, deixai os outros saberem por vossas palavras corajosas e vossa vida de serviço que ouvistes o chamamento do Senhor e decidistes seguir sua liderança até vê-lo conforme ele prometeu.

D. BERGANT – R. J. KARRIS, Comentário Bíblico, São Paulo, 1999 p. 71.

Agora é conosco!

Porém, o final abrupto de Marcos não foi muito aceito durante os primeiros anos da História da Igreja. Por isso, alguns cristãos do século I ou II tentaram completar o evangelho, supondo que o autor a isto desejasse. Mesmo assim, a conclusão do Evangelho de São Marcos tem o propósito de inspirar a Igreja missionária primitiva a “ir pelo mundo inteiro proclamando o Evangelho a todas criaturas”.

Esta Igreja missionária não deveria nada temer, porque o Senhor que foi arrebatado ao céu permanecia com eles em sua pregação, confirmando sua mensagem com os sinais de sua proteção e seu poder, afinal de contas o Evangelho ainda está sendo escrito… agora, por nós!

Escrito por Pe. Daniel Rocchetti, SAC

Sacerdote palotino (Sociedade do Apostolado Católico) assessor da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB.

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